• Rio de Janeiro Brasil
  • 14-18 Novembro 2022

Análise do potencial antibiótico da ricina

Autores

Domingues, L. (ETEC PROFESSOR JOSÉ CARLOS SENO JÚNIOR) ; Albano, I. (ETEC PROFESSOR JOSÉ CARLOS SENO JÚNIOR) ; Peguim, K. (ETEC PROFESSOR JOSÉ CARLOS SENO JÚNIOR) ; Gil, M.E. (ETEC PROFESSOR JOSÉ CARLOS SENO JÚNIOR)

Resumo

A mamona é caracterizada como uma das plantas mais tóxicas do mundo, pois nela encontram-se toxinas como a ricinina e aglutinina, encontra-se nas sementes a ricina, proteína que pode levar a óbito mesmo em pequenas doses. em culturas de microrganismos, a ricina é capaz de inibir o crescimento de colônias de bactérias, constatando uma diminuição bacteriana visível pelo surgimento de zonas opacas não características do grupo de controle, provando assim a presença de uma aplicabilidade antibiótica. Partindo destes princípios, este trabalho, analisou o potencial antibiótico da ricina extraída da mamona a partir de sua alta toxidade. As análises realizadas tiveram resultados favoráveis que comprovaram o fator inibitório da ricina em colônias de bactériascomo diplobacilos e estreptobacilos.

Palavras chaves

Ricina; Bactérias; Antibióticos

Introdução

O cultivo da mamona possui uma grande importância econômica brasileira sendo o Brasil o terceiro maior produtor mundial. 85% da produção nacional concentra-se no estado da Bahia e cerca de 90% da produção mundial é responsável pela China e Índia. Sua importância se deve ao seu óleo possuir grande aplicabilidade e apresentar singularidades únicas comercialmente. (BELTRÃO et al., 2009). Sua toxicidade foi devidamente explicada apenas em 1971, quando Jung-Yaw Lin introduziu a ricina em culturas de microrganismos. Com o experimento foi possível perceber que a toxina induzia a inibição da síntese proteica das células (LIN et al., 1971). Houve um grande aumento nas pesquisas sobre as RIPs desde a descoberta da ricina.A ricina presente na mamona é uma glicoproteína que apresenta alta toxidade, seu mecanismo de ação inibe a síntese de proteínas por promover a depurinação da adenina A4324 da alça 28 S do rRNA. As RIPs causam danos irreversíveis na síntese de proteínas das células(GIRBÉS et al., 2004). Receberam esse nome por conta de sua característica enzimática que promove a depurinação da A4324, impedindo que a alça 28 S interaja com os fatores de elongação evitando que se liguem na subunidade ribossomal 60 S (HARTLEY et al., 1991), o que trás o decréscimo da síntese proteica, comumente resultando em morte celular (OLSNES et al., 2004). Se inserida em culturas de microrganismos, a ricina é capaz de inibir o crescimento de colônias de bactérias, constatando uma diminuição bacteriana visível pelo surgimento de zonas opacas não características do grupo de controle, provando assim a presença de uma aplicabilidade antibiótica (LIN et al., 1971).

Material e métodos

As sementes de mamona foram coletadas da natureza e secas por 2 meses com o uso da luz solar como fonte de calor até a desidratação da casca (descartada) que envolvia as sementes; Foram pesadas 100 sementes (17 g) e colocadas em um béquer, adicionou-se 50 mL de água ao béquer, submergindo totalmente as sementes que foram aquecidas em água por 20 minutos, até a fervura. Neste momento a solução apresentou coloração um leve tom amarelo-esverdeado; Retirou-se as mesmas da água e secou- se com uma toalha de papel. Foi utilizado um pistilo para quebrar o tegumento que se encontrava amolecido, facilitando assim sua retirada. Em seguida, as sementes foram maceradas em um almofariz com o auxílio de um pistilo até a consistência pastosa; Improvisou-se uma prensa para a extração do óleo, usando latas de refrigerante e de embutidos, enrolando-se a pasta em papel toalha, trocando-o a cada 48 horas por 4 meses até a extração total do óleo. Após prensagem, a polpa foi macerada novamente, tomando uma consistência arenosa. Despejou-se esta polpa em um béquer e adicionou-se 170 mL de água destilada e 20 g de NaCl; A mistura foi agitada até o líquido se mostrar em uma cor turva esbranquiçada. Armazenou-se em um recipiente de vidro tampado por 3 dias e, posteriormente, filtrou-se a mistura a vácuo. Seguiu-se, então, para as análises microbiológicas transferindo-se colônias de bactérias isoladas, retiradas de uma placa de controle, para as 4 placas de análise, das quais a placa 1 possuía apenas a colônia de bactérias; a placa 2, 0,5 mL de solução de ricina; a placa 3, 1 mL de solução de ricina; e a placa 4 continha pequenos discos de papel que continham a solução de ricina. As placas foram incubadas a 36ºC por 24 horas e, finalmente, caracterizou-se as bactérias por coloração de Gram.

Resultado e discussão

O meio de cultura com 1ml de ricina inibiu totalmente a presença de bactérias e fungos. Observando as placas foi possível notar que, em regiões onde a ricina não foi aplicada há maior quantidade bacteriana comparada com a região na qual a ricina foi aplicada. Constatamos que em todas as placas em que foi aplicada a ricina há presença de um aspecto opaco, não característico do grupo controle, no qual determinou-se restos bacterianos. Não foi observado nenhuma formação fúngica nos testes realizados. Portanto, através dos testes, observou-se a sensibilidade de bactérias e fungos em relação ao material analisado. Deste modo, houve comprovação da ação da ricina extraída sob as bactérias analisadas.

Conclusões

Através dos testes realizados, foi possível constatar uma diminuição bacteriana visível por sua transparência e menor disposição. Todas as placas com ricina aplicada apresentaram um aspecto opaco, não característico do grupo controle. Nas regiões que não houveram sua aplicação foi possível observar maiores quantidades de formações bacterianas. As análises realizadas tiveram resultados favoráveis que comprovaram o fator inibitório da ricina em colônias de bactérias classificadas de acordo com a morfologia como bacilos agrupados como diplobacilos e estreptobacilos.

Agradecimentos

Agradecemos às colegas de trabalho Ana Antônio e Yasmin Baldan e toda equipe da Etec de Olímpia, especialmente aos professores, cujo os ensinamentos nos permitiram atingir o melhor desempenho no processo de formação acadêmica.

Referências

BELTRÃO, N. E. M.; OLIVEIRA, M. I. P. Detoxicação e aplicações da torta de mamona. Embrapa Documentos, Paraíba, v. 217, 35 p. 2009. Disponível em: <http://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/handle/doc/513552>. Acesso em: 16 set. 2022.

GIRBÉS, T.; FERRERAS, J. M.; ARIAS, F. J.; STIRPE, F. Description, Distribution, Activity and Phylogenetic Relationship of Ribosome-Inactivating Proteins in Plants, Fungi and Bacteria. Mini-Rev. Med. Chem., v. 4, n. 5, 2004.

HARTLEY, M. R.; LEGNAME, G.; OSBORN, R.; CHEN, Z.; LORD, J. M. Single-chain ribosome inactivating proteins from plants depurinate Escherichia coli 23S ribosomal RNA. FEBS J., v. 290, n. 1,2, p. 65-68, 1991.

LIN, J.-Y.; LIU, K.; CHEN, C.-C.; TUNG, T.-C. Effect of Crystalline Ricin on the Biosynthesis of Protein, RNA, and DNA in Experimental Tumor Cells. Cancer Research, China, v. 31, n. 7, p. 921-924, 1971.

RANA, M.; DHAMIJA, H.; PRASHAR, B.; SHARMA, S. Ricinus communis L. – A Review. Int. J. Pharmtech Res., Índia, v. 4, n. 4, p. 1706-1711, 2012.

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