• Rio de Janeiro Brasil
  • 14-18 Novembro 2022

SN1 vs SN2 em carbono sp3: explorando efeitos estruturais e eletrônicos do substrato por DFT

Autores

Peixoto, B.P. (UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE) ; de Andrade, K.N. (UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE) ; Carneiro, J.W.M. (UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE) ; Fiorot, R.G. (UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE)

Resumo

Compreender os fatores que controlam transformações químicas é essencial para planejar e otimizar processos de interesse científico. Uma classe de reações amplamente explorada nesse sentido é a substituição nucleofílica alifática, etapas-chave em diversos processos com apelo industrial e biológico.Esta pode ser descrita pelas vias SN1 e SN2, compreendidas como extremos de um mecanismo contínuo. A preferência por um caminho depende de diversos fatores, em especial, estrutura do substrato e o solvente. Assim, o presente trabalho visa racionalizar em nível DFT o mecanismo preferencial para substituições em substratos que não se enquadram exclusivamente nos modelos SN1 e SN2. Grupos adjacentes ao carbono eletrofílico demonstraram ter papel importante na localização do mecanismo neste contínuo.

Palavras chaves

DFT; Substituição Nucleofílica; Mecanismos de Fronteira

Introdução

Dentre as maiores ambições dos profissionais da área de química, e também de seus maiores desafios, estão o planejamento e a otimização de reações químicas. Para o sucesso dessa tarefa, deve-se compreender os fatores que controlam a reatividade química — mais precisamente, o mecanismo pelo qual as reações se desenvolvem e como determinados aspectos estruturais conduzem a reação preferencialmente por uma via em detrimento de outras. As reações de substituições nucleofílicas em carbono sp3 compõem uma importante classe de reações, constantemente presentes em etapas da síntese de substâncias com diversas finalidades, como compostos tecnológicos e bioativos. Por estas razões, estas reações têm sido amplamente exploradas do ponto de vista mecanístico. São propostos dois modelos mecanísticos: substituição nucleofílica unimolecular (SN1), ou DN+AN (DN — dissociação do grupo de saída, AN — associação do nucleófilo), e substituição nucleofílica bimolecular (SN2), ou ANDN. Ambos podem ser admitidos como extremos de um mecanismo contínuo e entre eles são propostos mecanismos de fronteira. (HAMLIN et al., 2018). Devido à diversidade estrutural de substâncias químicas aptas a essas reações, os modelos muitas vezes não são suficientes para justificar resultados cinéticos e a estrutura dos produtos formados. A elucidação dos fatores que controlam os mecanismos de uma reação química permite o ajuste racional e o planejamento rotas sintéticas mais eficientes. (VERMEEREN et al., 2021) Neste sentido, o presente trabalho objetiva compreender com maior profundidade como diferentes estruturas de substratos influenciam os mecanismos desta importante classe de reações, por meio da identificação de vias de reação de menor energia em função das características estruturais e eletrônicas.

Material e métodos

Cálculos computacionais de otimização de geometria e frequências vibracionais foram realizados no software Gaussian 09 em nível da Teoria do Funcional da Densidade (DFT), com o método computacional M06-2X/au-cc-pVTZ, previamente validado de acordo com parâmetros geométricos e energéticos. Para determinar o mecanismo preferencial (SN1 ou SN2), avaliamos substratos cujos carbonos eletrofílicos não se encaixam exclusivamente nos modelos mecanísticos limites: secundário (A), secundário congestionado (B), alílico (C), benzílico (D) e α-heteroátomos (E) – Figura 1a. Para avaliar exclusivamente aspectos cinéticos, minimizando influências termodinâmicas na identificação do mecanismo preferencial, foram simuladas reações identidade, tendo cloreto como nucleófilo (ClNu) / grupo de saída (ClGS). O efeito do solvente também foi examinado para alguns substratos empregando-se o modelo do contínuo polarizável (PCM), ao considerar a formamida implicitamente como solvente. Por fim, foi avaliada a natureza associativa/dissociativa dos estados de transição (TS) utilizando o diagrama de More O’Ferrall Jencks das ordens de ligação C-ClGS e C- ClN, calculadas com NBO (do inglês, Natural Bond Orbital).

Resultado e discussão

O mecanismo bimolecular mostrou-se preferível para a maioria dos substratos, com barreiras consideravelmente menores em fase gás e em solvente (Figura 1b) em relação à energia para formação do carbocátion. Apenas para 1Ei a via unimolecular é preferida. Nesta, a estrutura referente ao estado de transição SN2 foi otimizada como um intermediário, possivelmente devido à dispersão da carga positiva do átomo de nitrogênio que confere ao carbocátion um caráter de imínio. Os resultados obtidos simulando solvatação implícita evidenciam a influência do solvente na estabilização de íons, havendo diminuição significativa da diferença de energia entre o caminho SN1 e SN2. Comparados aos substituintes alquila (1A e 1B), a inclusão de sistema π vizinho ao centro eletrofílico (1C e 1D) promoveu redução da barreira energética em aproximadamente 5 Kcal mol–1. Para os sistemas com α-heteroátomos (E), observou- se que a substituição com –OMe apresentou a menor barreira de energia via SN2, enquanto o –PHMe apresentou a maior. O diagrama de More O’Ferrall Jencks (Figura 2) apresenta resultados consistentes com os discutidos anteriormente. O ponto estacionário localizado para 1Ei apresenta alto caráter dissociativo, confirmando a natureza de um intermediário carbocátion/imínio, esperado para uma via SN1. No outro extremo, próximo ao caminho concertado, encontra-se o estado de transição 1Ev, com o grupo nitro em α, que desestabiliza o caráter de carbocátion do TS. Assim, nucleófilo e grupo de saída estão fortemente associados ao substrato, posicionando o estado de transição mais próximo da linha diagonal tracejada, ANDN. Análises estão sendo realizadas para compreender o efeito do substituinte na reatividade a partir do modelo de interação-distorção.

Figura 1

(a) Estrutura dos substratos avaliados; (b) Valores de energia de ativação (SN2) e formação do carbocátion (SN1).

Figura 2

Diagrama de More O'Ferrall Jencks para pontos estacionários de mínimo (1Ei) e estados de transição (1A, 1B, 1C, 1D, 1Eii, 1Eiii, 1Eiv, 1Ev).

Conclusões

O caminho preferencial das reações de Substituição Nucleofílica Alifática foi avaliado utilizando como modelo alguns substratos que não se encaixam exclusivamente nos mecanismos uni- e bimolecular. As simulações revelaram que a via SN2 é favorecida em relação a SN1 para a maioria dos substratos avaliados, exceto para 1Ei. O efeito do solvente ficou evidente nessas reações, demonstrando sua importância na estabilização dos íons presentes nas etapas reacionais. Por fim, as análises do diagrama de More O’Ferrall Jencks corroboram as tendências das barreiras calculadas.

Agradecimentos

CNPq, PROPPi-UFF

Referências

HAMLIN, T. A.; SWART M.; BICKELHAUPT, F. M. Nucleophilic Substitution (SN2): Dependence on Nucleophile, Leaving Group, Central Atom, Substituents, and Solvent. ChemPhysChem, 19, 1315– 1330, 2018.

VERMEEREN, P.; HAMLIN, T. A.; BICKELHAUPT, F. M. Chemical reactivity from an activation strain perspective. Chem. Commun., 57, 5880–5896, 2021

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