AVALIAÇÃO SEMESTRAL DOS PADRÕES DE POTABILIDADE EM ÁGUAS SUBTERRÂNEAS EM REGIÃO CENTRAL DO ESTADO DO MARANHÃO EM 2020.

Autores

1Simeão de Azevedo Santos, L.F.; 2Mota Sousa, M.; 3Raiol Conceição Cardoso, G.M.

Resumo

A água é um recurso natural de valor inestimável. No entanto, não estando pura, se torna um veículo na transmissão de doenças. O objetivo deste estudo foi a avaliação dos relatórios semestrais de padrões de potabilidade, em águas subterrâneas em região central do Estado do Maranhão em 2020. A metodologia baseou-se em extrair dados dos relatórios semestrais de quatro poços nomeados de P5, P6, P7 e P8 cedidos pela Secretaria Municipal de Saúde. Os padrões analisados foram: Coliformes Totais e E.Coli, pH, Turbidez, Cor, Dureza, Cloro Residual Livre. Os coliformes totais foram impróprios para dois dos quatros poços. Em três dos quatros poços, não foi constatada a presença de cloro residual livre. Ações reparadoras devem ser realizadas para efetuar a qualidade da água utilizada nesses poços.

Palavras chaves

Águas Subterrâneas; Potabilidade; Análise de água

Introdução

A água é um bem natural de valor inestimável, tendo grande serventia para o cumprimento dos ciclos da vida, bem como para a economia mundial. Segundo a Portaria nº. 05/17 anexo XX do Ministério da Saúde, água potável é aquela destinada ao consumo humano, cujos parâmetros básicos são: microbiológicos, físico-químicos e radioativos, devendo atender ao padrão de potabilidade e não oferecer riscos à saúde (ALESSIO et al., 2004). Por volta de 250 milhões de casos de doenças de veiculação hídrica são notificados anualmente em nosso planeta. Desses, 10 milhões acabam resultando em mortes, sendo as crianças as mais afetadas, com metade dos óbitos (NEBEL & WRIGHT, 2000). A literatura de qualidade de água recomenda que haja monitoramento semestral de águas subterrâneas, cujas avaliações se referem aos parâmetros: pH, Turbidez, Condutividade, Cor, Dureza, Alcalinidade, íons( ferro, sódio, nitritos, nitratos, sulfatos). (SANTOS,1997). Grande parte da água potável é de origem subterrânea. Tais águas são importantes fontes de abastecimento por conta de sua reduzida vulnerabilidade de agentes de poluidores, menores valores financeiros para captação, além de menor potencial de gerar impactos ambientais aos mananciais. (BRASIL, 2006). O presente trabalho visa analisar dados dos relatórios das águas subterrâneas de 4 poços coletadas semestralmente pela Secretária Municipal de Saúde Santo Antônio dos Lopes, região Central do Estado do Maranhão no ano de 2020. O objetivo geral da pesquisa é descrever os padrões físico-químicos e potabilidade, em águas subterrâneas do Município de Santo Antonio dos Lopes- MA no ano de 2020. Já os objetivos específicos são, respectivamente, levantar os pontos de coleta das amostras de água e apresentar os parâmetros físico-químicos e microbiológicos encontrados nos relatórios de água nas áreas selecionadas do município.

Material e métodos

A pesquisa foi realizada com o objetivo de gerar conhecimentos dirigidos à interpretação passível de solução de problemas específicos, podendo ser apresentada como descritiva exploratória, sendo desenvolvida a partir de material já elaborado, constituído de livros e artigos científicos. Além de pesquisa de base secundária. Este levantamento de dados deu-se através de relatórios técnicos da Secretaria Municipal de Saúde de Santos Antônio dos Lopes-MA através coletas de amostras de água cujas análises eram realizadas pelo Laboratório Central do Maranhão-LACEN-MA por meio de dados inseridos no GAL MARANHÃO. Posteriormente, os dados eram inseridos no SISÁGUA com os dados e parâmetros analisados pela equipe de saúde municipal. Quanto aos procedimentos técnicos, a pesquisa foi iniciada, utilizando a leitura seletiva com materiais já publicados, como livros e artigos a fim de identificar os padrões exigidos pelo Ministério da Saúde a partir de estudos já realizados. Os relatórios selecionados foram de quatro poços artesianos nomeados por P5 (Poço Pracinha), P6 (Poço do Bairro Santo Antônio), P7 (Poço Santa Madalena) e P8 (Poço Funasa) na cidade de santo Antonio dos Lopes – Maranhão. Sendo um relatório de cada poço por semestre, logo, dois relatórios por poço subterrâneo foram analisados. Para a construção desse artigo foram selecionados dos relatórios os seguintes parâmetros: pH, Dureza Total, Cor, Cloro Residual Livre, Turbidez. Quanto à caracterização microbiológica os padrões foram coliformes totais e coliformes termotolerantes (Escherichia coli).

Resultado e discussão

Localização dos Pontos de Coleta das águas subterrâneas A localização dos poços estão representados na figura 1 abaixo. Potencial Hidrogeniônico (pH) A acidez da água influi no processo de seu tratamento e contribui para a corrosão das estruturas das instalações hidráulicas e do sistema de distribuição. O P5 (Poço Pracinha) apresentou no 1º semestre pH 8.00 e no 2º, 7.7. Já o P6 (Poço do Bairro Santo Antonio) teve pH de 7.6 no 1º semestre e 7.2 no segundo. Em relação ao P7 (Poço Sta Madalena), 7.9 e 7.4 no primeiro e segundo semestre, respectivamente. Por fim, o Poço P8 (Poço Funasa) apresentou pH 6.7 no 1º semestre e no 2º, 6.4. Em média o pH permaneceu em torno de 7,35. Esses valores encontram-se em conformidade com a Portaria de Consolidação n.º 05/2017 anexo XX, conforme gráfico 1 abaixo. Turbidez A turbidez é a característica da água, motivada pela presença de partículas em estado coloidal, em suspensão, matéria orgânica, inorgânica e outros organismos microscópicos. Expressa a interferência à passagem de luz, através do líquido (BRASIL, 2006). A Portaria de Consolidação Nº 05, de 28 de setembro de 2017, estabelece que o valor máximo permitido na água para consumo humano é de até 5 uT (unidade de turbidez), e com base nos resultados, todos os valores para turbidez estão dentro dos limites aceitáveis pela portaria, conforme demonstra o gráfico 2 abaixo. Cor A cor da água provém de substâncias dissolvidas nela como, por exemplo, o ferro ou manganês em combinação com o ferro, a matéria orgânica pode produzir cor de elevada intensidade. É possível que uma amostra de água apresente cor elevada e turbidez baixa, e vice-versa, já que os responsáveis pelos dois fatores são distintos. (PIANTÁ, 2008). Os Parâmetros da Portaria de Consolidação 05/2017 anexo XX ditam que o valor máximo permitido é de até 15 uH para Cor Aparente. (PIANTÁ, 2008). Como mostra o gráfico 3 abaixo, o maior valor encontrado no 1º semestre foi 4,7 uH no ponto de coleta Poço P6(Poço do Bairro Santo Antonio), seguido de 2,1 uH com o Poço P5, 1,6 uH para o Poço P7 e 1,4 uH para Poço P8. Já no segundo semestre o Poço P5 teve 1,8 uH, P6 apresentou 3,0; P7 1,5 e, finalmente, P8 com 1,0 Uh. Pode-se perceber que todos os valores encontrados estão dentro dos padrões estabelecidos. Dureza A dureza é a soma de cálcio (Ca2+) e magnésio (Mg2+) e é tida como uma medida da capacidade da água de precipitar sabão. Em concentrações elevadas consomem muito sabão na limpeza em geral, deixam resíduos insolúveis e causam corrosão e incrustações nas tubulações. Para águas de abastecimento, o padrão de potabilidade estabelece o limite de 500 mg/L CaCO3. A água dos quatro poços está no valor permitido pela portaria nº. 05/17 anexo XX, nos dois semestres de 2020, conforme o gráfico 4 abaixo. Cloro Residual Livre O cloro é um produto químico utilizado na desinfecção da água. A Portaria n.º 05/17 anexo XX do Ministério da Saúde determina a obrigatoriedade de se manter a concentração mínima de cloro residual livre de 0,2 mg/L e o teor máximo seja de 2,0 mg/L. De acordo com os resultados obtidos nos pontos de coletas, pode-se observar que no primeiro semestre os poços P6(Poço do Bairro Santo Antonio) e P7 ou Poço Sta Madalena atendem aos padrões de cloro residual livre conforme a Portaria de consolidação de nº. 05/17. Quanto aos poço P5 e P8 pode-se observar que os mesmos não atendem ao padrão da portaria. Tais dados são expressos no Gráfico 5 acima. Em relação ao segundo semestre, os Poços P5 e P7 apresentam-se dentro do padrão, enquanto P6 e P8 estão zerados, ficando fora do padrão estabelecido, conforme mostra o gráfico acima. Análise Microbiológica Os resultados das análises microbiológicas realizadas nas amostras de água coletadas nos quatro poços da nos dois semestres de 2020 são apresentados no quadro 1. Com base na Portaria de Consolidação n.º 05/2017 anexo XX, que define o padrão microbiológico de potabilidade da água para consumo humano, a classificação qualitativa dos parâmetros é: (presença/ausência – P/A), em 100 mL. No primeiro semestre verifica-se a falta de qualidade microbiológica da água nos Poços P5 e P8, estando os poços P6 e P7 dentros dos padrões. No segundo semestre, 50% dos poços continuam fora do padrão, sendo eles o P6 e P8. Quadro 1 - Dados para análise microbiológica dos Poços RESULTADOS DAS ANÁLISES MICROBIOLGICAS – 1º SEMESTRE P5 P6 P7 P8 Coliformes Totais Presente Ausente Ausente Presente Escherichia Coli Presente Ausente Ausente Ausente RESULTADOS DAS ANÁLISES MICROBIOLGICAS – 2º SEMESTRE P5 P6 P7 P8 Coliformes Totais Ausente Presente Ausente Presente Escherichia Coli Ausente Ausente Ausente Presente Fonte: Relatório cedido pela Secretaria Municipal de Santo Antônio dos Lopes-MA, janeiro e junho de 2020. A presença de CT(Coliformes Totais) nos poços pode ser explicada por ocorrência de infiltrações ou rupturas na rede e formação de biofilmes, que podem ocasionar a contaminação da água (CARMO et al. 2008).



Figura 1 - Pontos das Coletas nos poços da cidade de Santo Antônio dos



Figura 2 - Gráficos 1 a 5



Conclusões

O presente trabalho apresentou um panorama a partir de um diagnóstico elaborado na cidade de Santo Antonio dos Lopes-MA nos dois semestres de 2020, no mês de janeiro e julho, respectivamente. Os parâmetros pH, Turbidez, Cor, Dureza das coletas realizadas encontram-se dentro dos padrões do Ministério da Saúde em ambos os semestres. Conforme as análises puderam mostrar, 50% dos poços no 1º semestre não expressaram valores de Cloro Residual Livre, sendo eles P5 e P8. Já no 2º semestre, persistia a metade dos poços sem tratamento, são eles: P6 e P8. Esses dados demonstram que o poço analisado onde não havia a presença do cloro, apresentou presença de Coliformes. Em relação ao segundo semestre de 2020, considerando as impurezas na água e o seu efeito na saúde, cabe intervir na qualidade das águas consumidas dos mananciais subterrâneo dos poços P6 (Bairro Santo Antonio) e Poço FUNASA(P8) em virtude dos índices apresentados nos resultados no que se refere às análises microbiológicas tendo presença de Coliformes Totais e/ou Coliformes Tolerantes (Escherichia coli). Acredita-se que os resultados destas análises estão relacionados com as práticas de lançamento de dejetos de animais na natureza, à localização do poço subterrâneo aliado ao tempo de construção, à ausência de limpeza periódica dos reservatórios, e, consequentemente a ineficiência do tratamento da água que é realizado de forma ineficaz. Verifica-se, portanto, que um trabalho intensivo deve ser realizado no sentido de efetuar a vigilância da qualidade da água utilizada nestes poços que apresentaram resultados não condizente com a portaria nº. 05/17 do Ministério da Saúde e implementar ações que visem ao esclarecimento das pessoas que residem nesses locais a fim de mudar seu comportamento, e promover uma melhoria na qualidade da água.

Agradecimentos

Referências

ALESSIO, C. E. et al. Avaliação microbiológica das águas das principais fontes de praças e parques de Cascavel - PR, em relação à presença de coliformes totais, termo tolerantes e mesófilos aeróbios. 2004.

BRASIL, Portaria de Consolidação do Ministério da saúde de nº 5/17 anexo XX. Estabelece os procedimentos e responsabilidades relativos ao controle e vigilância da qualidade da água para consumo humano e seu padrão de potabilidade, e dá outras providências.

BRASIL, Ministério da Saúde. Vigilância e controle da qualidade da água para consumo humano. Brasília, DF, 2006, 213 p.

CARMO, R.F.; BEVILACQUA, P.D.; BASTOS, R.K.X. Vigilância da qualidade da água para consumo humano: Abordagem qualitativa da identificação de perigos. Engenharia sanitária ambiental, v. 13, n.4, p. 426-434, 2008.

NEBEL, B J. & WRIGHT, R.T. Environmental Science. 7. Ed. New Jersey: Prentice Hall, 2000.

PIANTÁ, C. Emprego de coagulantes orgânicos naturais como alternativa ao uso do sulfato de alumínio no tratamento de água. Porto Alegre, RS, 2008, 78p.

Relatórios 01,02,03,04,72,73,74 e 75/2020 das amostras de águas subterrâneas da Secretaria Municipal de Saúde de Santo Antônio dos Lopes – MA, 2020.

SANTOS, A. C. 2012 Noções de Hidroquímica. In: FEITOSA, F. A. C.; MANOEL FILHO, J. 3ª edição. Hidrogeologia: Conceitos e Aplicações. Fortaleza: CPRM/LABHID, UFPE.

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