TÍTULO: SEPARAÇÃO DE MISTURA - EXTRAÇÃO DE PIGMENTOS DE BIXA ORELLANA LINN: UMA PROPOSTA PARA AULAS PRÁTICAS

AUTORES: SOUSA, C. R. (FAEC/UECE) ; SILVA, A. L. R. (FAEC/UECE) ; MENEZES, J. E. S. A. (FACEDI/UECE) ; BERNALDINO, D. O. P. (FAEC/UECE) ; SANTOS, H. S. (UVA)

RESUMO: Bixa orellana L. (Bixaceae) é conhecida popularmente como urucu, urucum e annato, sendo a única espécie cultivada, tanto para fins industriais como para ornamentação. É uma das principais fontes corantes sendo empregada em diferentes ramos da indústria, destacando-se principalmente na indústria alimentícia por conferir coloração atraente e menos odores além de possuir um pigmento que é menos alterado pelo calor. Os carotenóides majoritários nas sementes de urucum são bixina, norbixina, além de geranilgeraniol. A extração das sementes de B. orellana tem como finalidade escolher o melhor solvente para a extração dos pigmentos. Esta metodologia poderá ser utilizada em aulas práticas no ensino médio, além de servir como fonte de pesquisa para os interessados na temática em questão.

PALAVRAS CHAVES: 1. bixa orellana; 2. bixina; 3. extração das sementes.

INTRODUÇÃO: O uso de corantes para suplementar ou realçar a coloração perdida e principalmente, para aumentar a aceitabilidade do produto, é um recurso muito utilizado. A idéia de consumo desses produtos dá-se principalmente pela visão. Alimentos coloridos são mais atraentes para o consumidor e essa cor deve-se ao uso de corantes (PRADO, 2002). Quando observamos um alimento, o aspecto visual pela cor sobrepõe a todos os outros, pois será um critério de aceitação ou rejeição.
O corante extraído das sementes de Bixa orellana L., conhecida popularmente por urucum merece uma atenção especial. Em primeiro lugar por se tratar do único corante natural com crescente importância no mundo que tem sua origem em solo brasileiro (CORANTES, 2007). Este corante é extraído há séculos pelos índios, que utilizam seu poder tintorial, supostamente como ornamento ou para evitar picadas de insetos e, como proteção contra queimaduras por exposição ao sol (MATOS, 2004).
Dentre os corantes naturais, o urucum é o mais utilizado pela indústria brasileira e em várias partes do mundo em escala industrial, representado cerca de 90% dos corantes usados no Brasil e 70% no mundo (TOCCHINI, 2001).
A separação de misturas – extração de pigmentos de B. orellana L.: uma proposta para aulas práticas na disciplina de Química, tem como finalidade contribuir com a educação básica, uma vez que o conteúdo aqui inserido está voltado para a realidade do aluno, pois sabemos que o emprego de materiais alternativos presentes no cotidiano, ajuda-o a contextualizar o conhecimento com o qual está interagindo.


MATERIAL E MÉTODOS: As sementes de B. orellana L. (urucum), foram adquiridas na fábrica Tina Condimentos na cidade de Crateús - CE.
MÉTODO 1: As sementes (25 g) de urucum foram submetidas à extração a frio, com uma solução de NaHCO3 20% por um período de 15 minutos sob agitação magnética. Separou-se as sementes por filtração, adicionou-se HCl concentrado à mistura alcalina a fim de acidificá-la e filtrou-se usando papel de filtro previamente pesado. O extrato foi seco a temperatura ambiente.
MÉTODO 2: 25 g das sementes de urucum foram submetidas à extração com etanol em condições ambiente, por um período de 8 dias. Separaram-se as sementes por filtração e esperou-se que a solução resultante evaporasse durante esse período.
MÉTODO 3: As sementes (25 g) de urucum foram submetidas à extração, a quente com uma solução de NaOH 5%, por um período de 5 minutos sob agitação magnética. Separaram-se as sementes por filtração, adicionou-se HCl concentrado à mistura alcalina, filtrou-se com papel de filtro previamente pesado e esperou-se o extrato secar.
MÉTODO 4: 25 g das sementes de urucum foram submetidas à extração a frio, com etanol sob agitação magnética por um período de 5 minutos. Separaram-se as sementes por filtração, adicionou-se 1 g de NaOH, em seguida acrescentou-se 2 mL de HCl e filtrou-se usando papel de filtro previamente pesado. A solução resultante secou a temperatura ambiente.
CARACTERIZAÇÃO DA BIXINA: Os extratos de sementes de urucum obtidos nos diferentes métodos foram submetidos a testes com H2SO4 concentrado. Cerca de 5 mg dos extratos foram dissolvidos em 1 mL de H2SO4 concentrado para a verificação de carotenóides, segundo metodologia de Costa et al. (2005).


RESULTADOS E DISCUSSÃO: De acordo com as extrações das sementes de B. orellana, foram obtidos os seguintes resultados:
Os métodos usados na extração dos pigmentos de B. orellana, foram realizados com soluções de NaHCO3, NaOH e etanol.
Dependendo do solvente utilizado, a extração pôde ser mais ou menos seletiva, de acordo com as conveniências de cada experimento. Os métodos de extração desenvolvidos neste experimento foram baseados na literatura (COSTA et al., 2005).
No método 1 utilizou-se uma solução de NaHCO3 20%, obtendo-se 1, 09 g da massa do corante (4,36%).
No método 2 utilizou-se etanol a frio como solvente de extração. Nesse método a solução foi evaporada a temperatura ambiente, fornecendo 1,29 g da massa do corante (5,15%).
No método 3 utilizou-se uma solução de NaOH 5% a quente fornecendo 2,39 g da massa do corante (9,56%). O resultado encontrado nesse método coincide com os dados da literatura (COSTA et al., 2005). A extração com NaOH é um procedimento rápido, de fácil execução e baixo custo.
No método 4 utilizou-se etanol a frio como solvente da extração. Nesse método foi adicionado 1 g de NaOH na solução. A solução resultante forneceu 1,99 g da massa do corante (7,96%).
A extração das sementes de B. orellana teve como finalidade escolher o melhor solvente para a extração de pigmentos. O método que se mostrou mais eficiente foi o método 3, em que uma solução de NaOH 5% a quente, forneceu um rendimento de 9,56%.
O tratamento dos extratos obtidos com H2SO4 concentrado resultou no desenvolvimento de coloração azul esverdeada, característica da presença de carotenóides (COSTA et al., 2005).


CONCLUSÕES: De acordo com o experimento, o método 3 conduziu a um melhor rendimento quando comparado aos demais.
Sugerimos que a simples extração com determinação do rendimento possa ser executada em aulas do ensino médio, pois sua instrumentação não é sofisticada, utilizando materiais de baixo custo e de fácil aquisição.
A metodologia aplicada neste trabalho pode contribuir com a educação básica do E.M., pois esta estimula a interdisciplinaridade entre as disciplinas da natureza, favorecendo assim uma educação voltada para a realidade do aluno o que sugere a atual proposta curricular nos PCN’s.


AGRADECIMENTOS: Ao Centro Vocacional Tecnológico de Crateús pelo suporte para realização do trabalho e a Tina Condimentos pelo fornecimento das sementes de urucum.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICA: COSTA, C. l. S.; CHAVES, M. H.; Extração de pigmento das sementes de Bixa orellana L: Uma alternativa para disciplinas experimentais de química orgânica, Quím. Nova, 2005. 28, 149.
CORANTES. Disponível em: <http://ufgr.br/Alimentus/med/2004-01/seminários/corantes.doc>. Acesso: 04 de outubro 2007.
MATOS, F. J. A.; SOUSA, M. S.; OLIVEIRA, M.E.; Constituintes químicos ativos e propriedades biológicas de plantas medicinais brasileiras, Ed.UFC: Fortaleza, 2004. 421, 425.
PRADO, M.A.; GODOY, H.T.; Determinação de corantes artificiais por cromatografia líquida de alta eficiência (CLAE) em pó para gelatina, Quím. Nova, 2004. 27, 22.
TOCCHINI, L.; MERCADANTE, A.Z.; Extração e determinação, por CLAE, de bixina e norbixina em coloríficos, Ciênc. Tecnol. Aliment. 2001. 21, 310.