TÍTULO: INCLUSÃO EDUCACIONAL E O ENSINO DE QUÍMICA PARA DEFICIENTES

AUTORES: SILVA, A.M. (UECE) ; RICARTE, L.P.C. (UECE)

RESUMO: Este trabalho tem como objetivo esclarecer alguns pontos sobre inclusão educacional. Foi feita uma pesquisa bibliográfica e aplicação de questionários para professores e alunos do Ensino Médio. Para que a inclusão possa acontecer, é preciso união de alunos, pais, professores, escolas e governo. Os professores se esforçam, mas a escola não possui os materiais necessários. É possível que os deficientes aprendam em salas de ensino regulares qualquer disciplina, desde que tenha as ferramentas necessárias para que a inclusão seja uma realidade. A disciplina de química tem suas dificuldades, pois é muito ligada ao sentido da visão, mas existem técnicas e adaptações para fazer os alunos deficientes visuais “tocarem” a química.

PALAVRAS CHAVES: inclusão educacional para deficientes

INTRODUÇÃO: Nos últimos anos, o Ministério da Educação juntamente com a sociedade está tentando mudar a Educação, melhorando a sua qualidade e a transformando em eficiente e inclusiva. A exclusão na educação pode gerar pessoas de má conduta sócio-cultural. Os excluídos ocupam as margens da sociedade. A família é a base para as tentativas de solução. A sala de aula produz cultura, entre professores, alunos e funcionários da determinada instituição. A cultura escolar influencia na conduta do aluno em diversas áreas como família, trabalho e sociedade. Cada aluno conquista seu espaço através da participação e compreensão da aula, que é onde se verificam as maiores dificuldades e facilidades de cada ser humano. O desenvolvimento de recursos didáticos de baixo custo utilizando tecnologias disponíveis facilitará o aprendizado do aluno. O ensino vinculado ao cotidiano e às questões sócio-político-econômicas faz com que alunos interajam com o mundo. O material didático usado nas experiências pode ser aplicado a alunos sem deficiência, assim é possível facilitar a integração do aluno que apresenta deficiência visual na rede regular de ensino. Pode ocorrer a nomeação de alunos capacitados e responsáveis para dar um apoio ao deficiente. O desafio maior é incluir os portadores de necessidade especiais na escola e na sociedade. Educação Especial, em resumo, é uma educação destinada aos portadores de deficiências (auditiva, visual, intelectual, física, sensorial e múltiplas deficiências).

MATERIAL E MÉTODOS: Além da pesquisa bibliográfica, foram feitas visitas à instituições relacionadas aos deficientes e à inclusão educacional. Os questionários foram aplicados no CERE - Profa. Maria José Santos aos professores e alunos do Ensino Médio. Foi feita uma visita à Sociedade de Assistência aos Cegos (SAC), uma entidade filantrópica, em Fortaleza, em que foi passado um vídeo sobre a sua fundação e visita a alguns setores da entidade. Visitou-se também o Centro de Estudos DOSVOX Prof. José Antonio Borges, destinado exclusivamente ao aprendizado do estudo DOSVOX e a aplicação de programas de alfabetização em Braille. O Instituto de Cegos Dr. Hélio Góes Ferreira, é uma escola de ensino especial para deficientes visuais, do maternal ao Ensino Fundamental. No Instituto, os alunos dispõem de Psicóloga, Fonoaudióloga, Fisioterapeuta, dentre outras modalidades médicas. Na SAC também tem a Biblioteca Braille Josélia Almeida. A visita feita ao Centro de Apoio Pedagógico para Atendimento às Pessoas com Deficiência Visual – CAP / Fortaleza, foi bem emocionante. Os materiais, todo em Braille, com uma matriz em acetato (materiais reproduzidos em thermoform) e em alto relevo e Braille, e outra página impressa em tinta (bastante colorido). Existem Tabelas Periódicas (Figura 1), Diagrama de Pauling, Modelo de Átomo, Tabela de Eletro negatividade e um Caderno de Distribuição Eletrônica. Existe um livro que se chama GRAFIA QUÍMICA BRAILLE PARA USO NO BRASIL, produzido pelo Ministério da Educação, que orienta como fazer a transcrição dos símbolos e elementos para o Braille. Foram assistidas aulas de química do 2º ano do Ensino Médio, onde se encontram três alunos deficientes visuais. Os questionários foram aplicados a três alunos deficientes visuais e a 15 (quinze) professores.

RESULTADOS E DISCUSSÃO: Os resultados da pesquisa baseiam-se tanto nas respostas de professores e alunos do Ensino Médio. Para os alunos as respostas do questionário aplicado foram: No item 1, foi questionado o apoio da família e todos responderam que sim. Na pergunta: a Escola tem recursos didáticos para seu aprendizado? (Material em Braille, auxiliares para ler as atividades, e outros), 33,33% responderam sim, enquanto 66,66% responderam não. No item número 3, perguntou-se a respeito dos recursos didáticos da escola. Os resultados foram iguais ao do item anterior. No item 4, o questionamento foi acerca do rendimento em Química, e todos os alunos responderam bom. No item 5, questionou-se sobre os métodos do professor ministrar as aulas, e os 100% responderam que os métodos são adaptados e é possível a participação dos alunos. Questionado sobre a sensibilidade dos professores, eles responderam que demonstram sensibilidade aos alunos. Na pergunta acerca da ajuda do professor, afirmam que os professores são calmos e atenciosos, explicam a matéria lentamente. Alguns professores “baixam” vídeos da internet, gravam em um CD e entregam para o aluno estudar, aplicando a avaliação de acordo com o vídeo estudado. Para os professores ao serem questionados sobre as dificuldades de lidar com deficientes, 80% afirmaram que sim, enquanto que 20% afirmaram que não. Perguntados, se a eles professores são oferecidos cursos sobre Inclusão educacional, 40% afirmaram que sim e 60% que não. Perguntou-se da participação dos deficientes em sala de aula, afirmaram que 86.66% participam das atividades, enquanto a minoria, 13,34% não participam. Na questão perguntada sobre a família, 93.33% dos familiares são sensíveis e prestativos.





CONCLUSÕES: Apesar das dificuldades, existem professores que se esforçam para produzir um ensino inclusivo e eficiente. Muitos alunos são acolhedores e compreensivos, mas existem as exceções. A inclusão é desfecho de uma escola de qualidade, boa gestão, professores qualificados e participação da família. A escola inclusiva leva à aceitação de portadores de deficiência na convivência entre todos. A educação inclusiva é contra qualquer tipo de discriminação, e nessa perspectiva a escola precisa ir em busca de uma educação que respeite a heterogeneidade.

AGRADECIMENTOS:

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICA: ALENCAR, M. J. Q. Avaliar as estratégias de ensino ascensionais na prática do professor de crianças com transtorno do déficit de atenção/hiperatividade. In: CONGRESSO INTERNACIONAL DE AVALIAÇÃO EDUCACIONAL, 3º, 2006, Fortaleza. Anais... Fortaleza: Imprensa Universitária, 2006.
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