Autores

Bragas de Oliveira, V. (UFMA)

Resumo

A avaliação da aprendizagem vem ganhando cada vez mais destaque nas discussões e pesquisas de educadores especialistas. O objetivo do presente trabalho foi analisar os métodos de avaliação da aprendizagem escolar utilizados pelos professores de ciências/químicas do ensino médio e fundamental da rede pública e privada de Santa Quitéria do Maranhão – MA. De acordo com os dados obtidos concluiu-se que a frequência nas aulas e a prova tradicional são ainda as principais formas de avaliação e que esta é utilizada como um instrumento que avalia com prevalência dos aspectos quantitativos sobre os qualitativos e apenas classifica ao invés de diagnosticar.

Palavras chaves

Avaliação da aprendizagem; Ensino-aprendizagem; Ensino de química

Introdução

Temos visto por anos a educação brasileira passar por constantes transformações e temos disponíveis na literatura vários trabalhos que abordam essa temática e consequentemente muitos autores preocupados com essa parte da realidade educacional. Muitas das transformações vividas na educação brasileira são superficiais e muitas delas bastante profundas, porém é notório que a avaliação da aprendizagem não tem acompanhado tais transformações, nem mesmo as superficiais, pois, apesar de essas transformações ocorrerem ainda permanecem entre as práticas educativas recorrentes, alguns padrões de comportamento que ressoam contra os avanços, que ressoam contra as novas tendências e que especialmente ressoam contra as necessidades de mudanças e inovações. As práticas educativas das quais nos referimos vai de encontro especialmente ao que Luckesi (2011) afirma sobre a avaliação da aprendizagem como ato pedagógico que na prática escolar em que o objetivo dos educandos deva ser sempre que aprendam e que aprendendo se desenvolvam e sob essa ótica a avaliação também deveria estar a serviço desse objetivo. Luckesi, que é atualmente um dos maiores pesquisadores desse tema no Brasil deixa claro também em suas pesquisas que a avaliação da aprendizagem deva configurar-se como um ato que investigue a qualidade da aprendizagem dos educandos, diagnosticando os impasses existentes e se necessário realizando as intervenções adequadas de forma a se obter os resultados desejados e necessários. Dessa forma é importante que as literaturas oficiais estabeleçam critérios e diretrizes pormenorizadas acerca desse tema, a fim de tornar a avaliação cada vez mais humanizada e menos excludente, pois esta é parte do processo de ensino-aprendizagem e não o final desse processo. Isso se dá especialmente dadas as diversas formas e meios de avaliação existentes e disponíveis, mas que na maioria das vezes são deixadas de lado e ainda se mantém em voga as antigas práticas. Os Parâmetros Curriculares Nacionais (Brasil, 1997) orientam que para a obtenção de dados relevantes em relação aos processos de aprendizagem sejam necessários considerar a existência e importância de uma diversidade de instrumentos e situações que possibilitam avaliar as diferentes capacidades e conteúdos curriculares ministrados e a apreensão das informações ocorridas nos diferentes contextos educacionais existentes. Entendemos por isso que os instrumentos avaliativos devam se prestar para além de examinar os discentes, ela deva estar a serviço da melhoria do ensino e das práticas educativas adotadas e que sirva de norteadora para as mudanças dessas práticas se esse for o caso. É comum perceber entre os pares a permonorização do valor dessa atividade e a adoção da mesma como apenas uma etapa obrigatória e corriqueira das suas atividades docentes. Vimos que a mesma em sua maioria não é tida com um olhar crítico positivo, mas apenas com um olhar crítico negativo, ou seja, elas apenas refletem aquilo que os discentes não conseguiram aprender, e quase nunca como reforço do que os discentes conseguiram aprender e nos quais eles foram eficientes, nos quais eles são bons. Essa visão da avaliação minimiza a capacidade dos discentes ao mesmo tempo em que erroneamente maximiza seus defeitos e falta de habilidades e quase nunca provoca nos discentes ou nos docentes uma mudança de postura e direcionamento. Nesse processo de mudanças e avanços educacionais é de extrema importância o papel dos educadores nesse sentido, pois deve partir dos mesmos a iniciativa de além de avaliar a apreensão dos conteúdos passados a seus alunos, realizarem a auto avaliação das suas práticas educativas e das metodologias adotadas. É fato que sem essa conscientização e mudança de postura frente a avaliação da aprendizagem poucos avanços serão possíveis e efetivamente ocorrerão. Dessa forma vimos ser muito importante que esses personagens, os docentes, que são de certa forma os maiores responsáveis para que a avaliação da aprendizagem assuma de fato seu papel transformador sejam pesquisados. Afim de que o entendimento da realidade que permeia as práticas docentes de professores de química da rede pública da cidade de Santa Quitéria do Maranhão é que esse trabalho foi realizado e esperamos que ele sirva como instrumento de contribuição e reflexão para os professores e alunos que venham a utilizá-lo como fonte de pesquisa.

Material e métodos

A metodologia empregada neste estudo consistiu de uma pesquisa de campo realizada por meio da aplicação de questionários semi-estruturados voltados para o corpo docente do ensino fundamental e médio com objetivo de coletar dados reais sobre a experiência vivenciada acerca do processo avaliativo enfrentado pelos professores de escolas públicas e privadas do município de Santa Quitéria do Maranhão – MA. Os questionários foram entregues a 13 professores participantes voluntários. O primeiro questionário foi composto por 21 questões sobre o perfil docente com o intuito de saber a formação acadêmica, acesso escolar, carga horária, séries, turno, disciplinas, tempo que atua na área, conteúdo efetivamente lecionado e grau de satisfação na profissão. O segundo totalizava 18 questões sobre avaliação de aprendizagem, conceito, importância, significado, principal objetivo, sistema de avaliação adotado, instrumento avaliativo utilizado para atribuir notas, formas de aplicação de provas e reflexões sobre suas práticas avaliativas.

Resultado e discussão

A pesquisa contou com treze professores que lecionam tanto no ensino fundamental quanto no ensino médio, representando dessa forma escolas municipais, estaduais, escolas públicas e privadas da cidade de Santa Quitéria no Estado do Maranhão. Os questionários foram entregues aos docentes que após concordância com a pesquisa levaram cerca de três dias para a devolução dos mesmos. Os dados obtidos foram analisados de forma qualitativa e quantitativa. A primeira questão solicitava aos professores que marcassem a proposição que melhor define avaliação da aprendizagem. Dos professores pesquisados, 23,1% definiram a avaliação como contínua e acumulativa do desempenho do aluno, outros 23,1% definiram como um instrumento que avalia com prevalência dos aspectos qualitativos sobre os quantitativos e outros 23,1% definiram como uma prática de investigação do professor, cujo sentido é intervir na busca dos melhores resultados no processo de aprendizagem dos alunos. Na segunda questão foi solicitado que os docentes pesquisados elaborassem um conceito para a avaliação da aprendizagem. O professor A acredita que se trata de um processo complexo com formulação e elaboração. O professor E acredita que a avaliação consiste em um instrumento continuo e que além de se classificar, deve diagnosticar. Cada professor deveria descrever a importância da avaliação da aprendizagem na terceira questão. O professor K ressaltou a importância para o processo de ensino, o professor J assinalou a mediação de formas de ensino, o professor K ressaltou a importância da avaliação para a melhoria do ensino. Pediu-se para cada docente dizer se as palavras Avaliar e Examinar tinham o mesmo significado e que comentassem suas respostas. O professor A não concorda que tenham mesmo significado, diz que examinar seria o que acontece no presente e avaliar seria uma investigação do aluno como indivíduo. O professor D discorda que tenham o mesmo significado, diz que examinar é estipular um valor, uma análise. O professor F discorda e disse que avaliar é um processo contínuo que requer várias maneiras de ensino, e examinar seria atribuir valores numéricos. Perguntou-se aos docentes em uma questão de múltiplas escolhas qual o principal objetivo da avaliação, ocorreu de alguns professores marcarem mais de uma opção. 35,30% dos professores disseram que o principal objetivo da avaliação é somar, 23,52% disseram que o objetivo da avaliação é formar, 35,50% disseram que o principal objetivo da avaliação é avaliar e para as demais respostas não houve seleção. Perguntou-se ainda aos docentes qual o sistema de avaliação adotado em sua sala de aula. 42,86% adotam a avaliação diagnóstica, 28,57% escolheram a formativa, 28,57% escolheram a somativa. Daí foi perguntado aos professores o que eles entendem por avaliação diagnóstica. O professor E diz que a avaliação diagnóstica é um meio de se entender o processo levantando informações. O professor F acredita que seja uma análise prévia que visa o conhecimento. O professor H respondeu que é o ato de identificar conhecimentos já adquiridos. O professor M diz que se trata de analisar o que a turma já conhece: Já na questão seguinte foi solicitado aos respondentes que marcassem duas alternativas referentes aos instrumentos avaliativos que mais utilizavam. 12,90% utilizam a frequência, 35,50% utilizam a prova, 6,45% utilizam a disciplina, 22,28% utilizam a participação em sala de aula, 9,67% utilizam trabalhos individuais e nenhum deles utiliza seminários, amostra cultural ou utilizam trabalhos em grupo. A partir daí perguntou-se aos professores o que as provas medem. 55% acredita que as provas medem o nível de aprendizado do aluno em relação ao conteúdo, 15% acreditam que as provas medem o nível de aprendizagem do aluno de modo geral, 10% acreditam que mede os conhecimentos prévios do aluno, 15% acreditam que mede a capacidade do aluno em elaborar respostas, 5% acreditam que mede o raciocínio lógico e para as demais alternativas não houve seleção. Na questão seguinte perguntou-se de que maneira a prova é aplicada. De acordo com os resultados, 68,75% aplicam provas individuais, 25% aplicam provas em dupla e 25% aplicam provas coletivas e perguntou-se sobre a consulta a materiais bibliográficos e dos professores entrevistados 23,08% dos professores permitem consulta no momento de avaliação e 76,95% não permite a consulta no momento de avaliação. Os docentes foram questionados sobre a apresentação e formulação das questões. Vimos que 53,85% utilizam questões objetivas e 46,15% utilizam provas subjetivas. Sobre a formação dos docentes a cerca da avaliação perguntou-se aos professores se já realizaram alguma reflexão sobre a prática avaliativa no processo de ensino aprendizagem. Temos que 92,30% dos professores já realizaram algum tipo de reflexão sobre a prática avaliativa para o processo de ensino e aprendizagem, 7,70% nunca realizaram nenhuma reflexão. Perguntou-se aos pesquisados se já leram livros, artigos, revistas sobre a temática avaliação. Obtivemos que 84,62% já leu algum material sobre a temática avaliação, 16,38% não leram nenhum material sobre o assunto. E para, além disso, perguntou-se se as concepções avaliativas são discutidas nas reuniões pedagógicas da escola. Vimos que 92,30% discutem concepções avaliativas em reuniões pedagógicas da escola e 7,70% não discutem essas concepções. A esses docentes foi perguntado se já participaram de algum treinamento a respeito de processos avaliativos. 69,30% já participaram de algum treinamento a respeito de processos avaliativos e 30,70% não participaram de nenhum treinamento a respeito de processos avaliativos e foi perguntado ainda se o professor considera importante conhecer mais a respeito da avaliação da aprendizagem. 100% consideram importante conhecer mais a respeito da avaliação da aprendizagem. Os professores foram questionados se gostariam de realizar algum treinamento sobre avaliação da aprendizagem. 100% gostariam de realizar um treinamento sobre a avaliação da aprendizagem. Em síntese os dados apresentados demonstram que os docentes entrevistados possuem conceitos plausíveis e formação suficiente para entenderem o que seja avaliação, para saberem diferenciar os tipos de avaliação e para conceberem a necessidade da adoção de processos avaliativos que não excluam, mas que incluam e ensinem. Entendem que o processo avaliativo é parte do processo de ensino e que não pode ser colocada a parte. Porém vê-se também que os métodos adotados continuam sendo os mesmos, que a prova ainda é predominante apesar de os docentes pesquisados afirmarem e reconhecerem sobre a importância da avaliação e sua efetividade. Vimos também que os docentes reconhecem a importância de uma formação continuada e das necessidades de mudança de postura frente a essa realidade.

Conclusões

De acordo com os dados conclui-se que a frequência nas aulas e a prova tradicional ainda são as principais formas de avaliação utilizadas pelos docentes pesquisados. A avaliação foi descrita principalmente como um instrumento que avalia com prevalência dos aspectos qualitativos sobre os quantitativos. Os docentes procuram por formações continuadas para melhorar as práticas pedagógicas, pois o sistema de educação se encontra em constantes mudanças e o educador precisa acompanhar essas alterações e que muito há que ser efeito até que o mesmo alcance seu papel real e um valor significativo no processo de ensino aprendizagem.

Agradecimentos

A Universidade Federal do Maranhão.

Referências

Luckesi, C. C. Avaliação da Aprendizagem componente do ato pedagógico. 1 Ed. São Paulo. Editora Cortez, 448p. 2011.

Brasil. Secretaria de Educação Fundamental.
Parâmetros curriculares nacionais : introdução aos
parâmetros curriculares nacionais. Brasília. MEC/SEF, 126p. 1997.