Autores

Barboza da Silva, C.F. (IFSP CPV)

Resumo

Com a criação e expansão do IFSP pela Lei 11.892/2008, vários desafios foram delineados incluindo o oferecimento de 20% dos seus cursos na forma de licenciaturas. Para atingir esta meta muitos cursos foram e ainda serão criados, o que torna imprescindível a reflexão sobre o perfil dos cursos de formação de professores no IFSP. O Projeto Pedagógico do Curso de Licenciatura em Química, elaborado pelos professores do Campus Capivari, será analisado objetivando a identificação de especificidades, obstáculos, compatibilização com as exigências legais e necessidades sociais.

Palavras chaves

currículo; projeto pedagógico; formação inicial docente

Introdução

Para a formação de professores conscientes do seu papel na sociedade e para aprender através do ensino baseado no tripé Ciência, Tecnologia e Sociedade (SANTOS e SCHNETZLER, 2010) é imprescindível que esta formação inicial seja repensada (GATTI, 2011). Sendo assim, apenas a LDB de 1996 e todos os posteriores pareceres e resoluções não são suficientes para atender a esta demanda. Tal realidade tem levado a sociedade civil a mobilizar-se no sentido de discutir tanto no meio acadêmico, como fora dele, políticas educacionais que sejam eficientes na busca de melhoria da qualidade e da democratização do acesso à educação (CARVALHO, 2007). Estas discussões têm apontado o despreparo do professor, que em geral tem uma formação nos moldes tradicionais que não leva em conta as necessidades da sociedade atual como um fator significativo no sucesso da implantação de políticas educacionais eficientes (CUNHA, 2013). Neste sentido, o Parecer CNE/CP 009/2001 aponta competências ao profissional docente adequado à realidade atual como: orientar e mediar o ensino para o sucesso da aprendizagem; assumir e saber lidar com a diversidade existente entre os alunos; incentivar atividades de enriquecimento cultural; desenvolver práticas investigativas; elaborar e executar projetos; utilizar novas metodologias, estratégias e materiais de apoio; desenvolver hábitos de trabalho em equipe. A desvalorização dos profissionais da educação culminou em uma escassez de professores do ensino básico (ARAUJO, 2011). No panorama atual da educação brasileira, não basta formar mais professores, mas formá-los com qualidade, integralmente voltado para que tenham capacidade de enfrentar os problemas, analisá-los, propor e implementar inovações que busquem a melhoria da educação brasileira.

Material e métodos

A metodologia utilizada foi por meio da pesquisa documental e bibliográfica para a elaboração do Projeto Pedagógico de Curso (PPC) da Licenciatura em Química do IFSP Câmpus Capivari. Com o levantamento das informações e dados os resultados são discutidos de maneira qualitativa e quantitativa.

Resultado e discussão

O curso de Licenciatura em Química é oferecido desde de 2015. O curso não exige Trabalho de Conclusão de Curso, porém, para estimular a pesquisa no campo da Educação os discentes são estimulados durante três semestres a fazerem um levantamento das principais pesquisas realizadas nacional e internacionalmente na área de Educação em Ciências e aprofundar os conhecimentos em uma área específica, desenvolver um projeto de pesquisa, colocam em prática o projeto desenvolvido, coletam e analisam os dados para a elaboração de um documento final para comunicação científica. Com a Resolução CNE/CP 2/2015 a carga horária mínima dos cursos de Licenciatura aumentou de 2800 para 3200 horas, o que promoveu uma necessidade de mudança do PPC. A estratégia para promover ainda mais a interdisciplinaridade com a conversão de horas de Prática como Componente Curricular (PCC) para criar quatro novas disciplinas de Prática Pedagógica que promoveram a interdisciplinaridade através de metodologias ativas. Além de alguns ajustes nas disciplinas, foram inseridas as disciplinas de Direitos Humanos na Educação, Educação Inclusiva, Fundamentos de EJA e Educação Profissional. Desde a aprovação do Projeto de Inovação Pedagógica em 2017, fomentado pela Pró Reitoria de Ensino do IFSP, as possibilidades metodológicas inovadoras no curso se ampliaram. O projeto envolve flexibilização do currículo, mudança disruptiva na metodologia e na avaliação, redefinição dos papéis de estudantes e professores e ressignificação dos espaços de aprendizagem, dentro de uma perspectiva de educação democrática a partir do paradigma dialógico-emancipatório proposto por Paulo Freire. Busca-se o desenvolvimento da autonomia do estudante e a personalização da educação, sem perder a dimensão coletiva do trabalho pedagógico.

Conclusões

Pôde-se perceber que os trabalhos elaborados pelos formandos foram de alta qualidade acadêmica, muitos deles apresentados em eventos científicos e todos apresentando um artigo científico como projeto final do curso. A inserção das práticas pedagógicas no currículo promoveu a elaboração de atividades ativas de aprendizagem e ofereceu como resultado vários trabalhos com qualidade metodológica e pedagógica. O projeto de inovação promoveu o desenvolvimento da autonomia e planejamento de estudos dos estudantes, incentivando-os a utilizar tais competências na sua futura atuação profissional.

Agradecimentos

À Pró Reitoria de Ensino pelo incentivo às implementações das inovações propostas no Projeto Pedagógico de Curso.

Referências

ARAUJO, R. S.; VIANNA, D. M. A carência de professores de ciências e matemática na Educação Básica e a ampliação das vagas no Ensino Superior. Ciênc. educ. (Bauru), Bauru , v. 17, n. 4, p. 807-822, 2011.
BRASIL, Lei de Diretrizes e Bases. Lei nº 9.394/96, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Brasilia, 1996.
______ . Conselho Nacional de Educação. Resolução CNE/CP n. 02/2015, de 1º de julho de 2015. Define as Diretrizes Curriculares Nacionais para a formação inicial em nível superior (cursos de licenciatura, cursos de formação pedagógica para graduados e cursos de segunda licenciatura) e para a formação continuada. Brasília, 2015.
______ . Conselho Nacional de Educação. Parecer CNE/CP n. 09/2001, de 08 de maio de 2001. Diretrizes Curriculares Nacionais para a Formação de Professores da Educação Básica, em nível superior, curso de licenciatura, de graduação plena. Brasília, 2001.
CARVALHO, J. S. F. de. A qualidade de ensino vinculada à democratização do acesso à escola. Estud. av., São Paulo , v. 21, n. 60, p. 307-310, 2007.
CUNHA, M. I. da. O tema da formação de professores: trajetórias e tendências do campo na pesquisa e na ação. Educação e Pesquisa, São Paulo, v.39, n.3, p.609-625, 2013.
GATTI, B.; BARRETTO, E. S. S.; ANDRÉ, M. Políticas de formação inicial de professores. In: Políticas docentes no Brasil: um estado da arte. Brasília: UNESCO. p.89-136, 2011.
SANTOS, W. L. P; SCHNETZLER, R. P.; Educação em Química: compromisso com a cidadania. 3ª ed. Ijuí: Unijuí, 2010.