Autores

Guimarães de Paula, A. (UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLÂNDIA) ; Quintino Amauro, N. (UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLÂNDIA) ; Rodrigues Filho, G. (UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLÂNDIA) ; Teodoro de Souza, P.V. (INSTITUTO FEDERAL GOIANO)

Resumo

Neste trabalho desenvolvemos uma investigação junto aos coordenadores e aos professores das disciplinas de Química Geral, Química Geral e Inorgânica, Química Geral e Inorgânica Experimental, Iniciação à Química 2, Química Fundamental, Química Experimental, Química Geral e Analítica, Química de Soluções, Química Geral e Analítica e Química Básica, denominada apenas como Química Geral, dos cursos de Química da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) com a finalidade de caracterizar o nível de conhecimento desses sobre a Resolução 02/2012, bem como compreender como a temática ambiental é abordada efetivamente nas aulas de Química Geral. Para isso entrevistamos os coordenadores de curso e aplicamos um questionário para os professores que lecionaram as referidas disciplinas em 2013 e 2014.

Palavras chaves

Resolução 02/2012; Educação Ambiental; Aulas Experimentais

Introdução

A Educação Ambiental (EA) é uma área do conhecimento idealizada no final século XX, com o intuito de refletir as relações que envolviam a sociedade, a educação e o meio ambiente (LIMA, 2011). A expressão EA surgiu nos anos de 1970, na Conferência de Estocolmo, de 1972, para a proposição de ações pedagógicas direcionadas ao ambiente sustentável (MARCATTO, 2002). Ainda hoje a EA é tema de diversos debates e reflexões no Brasil e no mundo, assim como faz parte dos currículos nacionais das diversas modalidades de ensino. Considerando esse contexto, as Instituições de Ensino Superior (IES) são responsáveis em fomentar ações individuais e coletivas para potencializar as mudanças no comportamento do alunado em relação ao meio ambiente. De acordo com Giloni-Lima e Lima (2008) é necessário oferecer aos graduandos e pós- graduandos as condições básicas para que eles sejam capazes de desenvolver suas ações profissionais de forma limpa. Por sua vez, o decreto do Conselho Nacional de Educação/Conselho Pleno, da Resolução 02 de 15 de junho de 2012 (BRASIL, 2012), apresenta as responsabilidades que competem as IES para que a EA seja integrante de um currículo que contribua na formação profissional, valorizando a reflexão crítica sobre questões socioambientais. Em vistas dessa referência, apresentamos as metodologias de tratamento dos resíduos gerados nas aulas práticas e nas atividades de pesquisa das IES como uma forma de desenvolver conhecimentos sobre à Educação Ambiental (GILONI-LIMA E LIMA, 2008).Neste contexto, a formação do aluno poderá ser beneficiada com o desenvolvimento de um programa pedagógico que valorize a EA de graduandos e pós-graduandos em Química (RODRIGUES FILHO et al., 2011).

Material e métodos

A pesquisa foi desenvolvida inicialmente por meio de uma revisão bibliográfica, na qual foi estudada a Resolução 02/2012, os artigos e os livros sobre EA, bem como projetos de tratamento de resíduos nos cursos de Química em Universidades brasileiras. Posteriormente, foram entrevistados os coordenadores dos cursos de Química da UFU. No câmpus de Uberlândia (MG) foram selecionados três coordenadores: um do curso de Química Industrial, um da Licenciatura em Química, que estava no seu último mês no cargo, e, por fim, entrevistamos o novo coordenador da Licenciatura em Química. No câmpus de Ituiutaba (MG), apenas um coordenador foi entrevistado, pois os cursos de Química Industrial e Licenciatura em Química são orientados por uma coordenação, apenas. As entrevistas foram gravadas em áudio e, em seguida, transcritas para posterior análise. Para a segunda etapa da pesquisa criou-se um questionário com nove perguntas no aplicativo Google Formulários. Sendo que as questões formuladas foram elaboradas a partir das análises das entrevistas com os coordenadores de curso. Com a finalidade de elucidar alguns apontamentos gerados por esses sobre as abordagens e as estratégias didáticas dotadas nas aulas experimentais. No que diz respeito a aplicação do questionário, enviamos, via e-mail o formulário para os quinze professores que ensinaram as disciplinas de Química Geral nos anos de 2013 e 2014. Entregamos, também, a versão impressa do questionário para os docentes pesquisados. As respostas foram organizadas pelo mesmo aplicativo que usamos para criar o formulário.

Resultado e discussão

As entrevistas, foram separadas em quatro temas e as falas dos coordenadores (C), foram analisadas de acordo com cada um: Tema 1: Conhecimento sobre a Resolução 02/2012: os coordenadores conhecem o documento, porém relatam que não conhecem profundamente. Tema 2: Como as disciplinas dos cursos de Química contemplam a Resolução: Os coordenadores informaram que os cursos que coordenam possuem disciplinas que contemplam a Resolução, tais como: Química Ambiental e Química Aquática, dentre outras. E afirmam que os professores dos cursos de Química complementam as ementas de suas disciplinas com discussões a respeito das questões ambientais. Tema 3: Impactos ambientais que as atividades de ensino dos cursos de química podem provocar: O principal impacto ambiental apontado pelos participantes da pesquisa foi a contaminação da água pelos resíduos gerados durante as aulas experimentais. Tema 4: Ações da gestão para minimizar os impactos: Os coordenadores 2 e 3 afirmam não conhecer nenhum plano de ação para resolver os problemas de descarte de resíduos. O C1 relata que há uma comissão de resíduos no IQ/UFU para trabalhar essas questões. O C4 explica que há uma empresa que recolhe os resíduos em sua unidade. Após analise das entrevistas, aplicamos um questionário para os docentes e analisamos as respostas.A maioria dos docentes que responderam o questionário não conhecem a Resolução 02/2012. os outros conhece pouco ou razoavelmente. No geral, a ementa das disciplinas em estudo não contemplam os temas Educação Ambiental e ética socioambiental, mas o professor contextualiza o conhecimento químico via temática ambiental. Para reduzir impactos e os resíduos das aulas práticas, os docentes substituem roteiros que contém reagentes tóxicos por outros que não os utilizam.

Conclusões

As análises das falas dos coordenadores evidenciaram a utilização de disciplinas para abordar a temática ambiental nos currículos dos cursos de Química da UFU. Logo, os sujeitos entrevistados não entendem que a EA deve ser trabalhada de forma transversal. Por sua vez, os coordenadores e os docentes, concordam que os resíduos produzidos pelas aulas experimentais podem contaminar solo e a água, mas não há um projeto interno para que os próprios alunos se responsabilizem em destinar corretamente esses rejeitos. Os alunos dos cursos de Química da UFU formam-se com pouco contato com a área da EA.

Agradecimentos

Às coordenações dos cursos de Química Industrial e Licenciatura em Química do câmpus Uberlândia e Bacharelado e Licenciatura em Química do câmpus Ituiutaba da UFU. À

Referências

BRASIL. Ministério da Educação. Conselho Nacional da Educação. PARECER CNE/CP 2/2012, de 15 de Junho de 2012.
GIGOLINI-LIMA, P. C.; LIMA, V. A. Gestão integrada de resíduos químicos em Instituições de Ensino Superior. Química Nova, v. 31, n. 6, p. 1595-1598, 2008.
LIMA, G. F. C. J. Educação Ambiental No Brasil: formação, identidades e desafios, 2011, Ed. Papirus, Campinas – SP.
MARCATTO, C. Educação ambiental: conceitos e princípios. Belo Horizonte: FEAM, 2002.
RODRIGUES FILHO, G.; Ribeiro, S. D.; Meireles, C. S.; Silva, L. G.; Ruggiero, R.; Ferreira Júnior, M. F.; Cerqueira, D. A.; Assunção, R. M. N.; Zeni, M.; Poletto, P., Release of doxycycline through celulose acetate symmetric and asymmetric membranes produced from agroindustrial residues: sugarcane bagasse, Industrial Crops and Products 33, 566-571, 2011.