Autores

Cavalcante, D.A. (UFC) ; Casciano, P.N. (UFC) ; Theophilo, P.H. (UFC)

Resumo

A abordagem de assuntos de caráter experimental no ensino da química quer do professor recursos e preparação prévia. O presente trabalho teve como objetivo o desenvolvimento de uma videoaula sobre análise gravimétrica utilizando diversos tipos de amostras. Este recurso pode ser utilizado em situações cujo tempo disponível para o assunto inviabiliza o experimento em laboratório didático ou mesmo na ausência deste.

Palavras chaves

Ensino de química; análise gravimétrica; química analítica

Introdução

A crescente facilidade ao acesso e divulgação de novas metodologias de trabalho e avaliação tem levado aos professores buscarem diversificar suas práticas pedagógicas. O vídeo como simulação pode facilitar a exposição de assuntos cujas experiências de química seriam perigosas ou, ainda, que exigiriam muito tempo. (MORAN et al., 2000). No caso do estudo experimental da análise gravimétrica em química analítica quantitativa necessita-se de laboratório didático, equipamentos como estufa, balança analítica, dessecador, vidrarias, materiais de segurança como pinças ou luvas. Além disso, por ser um experimento demorado, exige-se uma carga horária adequada para sua realização. O desenvolvimento de um vídeo sobre essa temática possibilita a utilização por professores cuja carga horária não permite a realização deste experimento ou destinado para educação a distância.

Material e métodos

Para a realização do vídeo-experimento foram necessários, além da câmera digital e computador para edição, os seguintes materiais: Estufa convencional regulada para 105ºC; Balança analítica; Dessecador com sílica; Becker; Pinça e garra. Amostras diversas, como por exemplo, folhas, sal de cozinha comercial, margarina, sabonete em barra, ração animal, solo. O método gravimétrico empregado levou em consideração a perda de massa da amostra, por dessecação até peso constante. (IAL, 2008). Cerca de 1 g da amostra foi submetida ao processo, até peso constante, e o teor de umidade foi calculado utilizando-se a equação: % umidade = 100 - (((m’-t)/(m-t))x100). Onde: m = massa total do sistema (vidraria mais alíquota da amostra) no início do processo; m’ = massa total do sistema (vidraria mais alíquota da amostra) no final do processo; t = massa da vidraria utilizada; 100 = fator percentual de cálculo. (GARCIA-AMOEDO; ALMEIDA-MURADIAN, 2002). Em béquer de 50mL foi colocada uma massa aproximada de 1,0000g para cada amostra. Este béquer foi levado a estufa por 100ºC por duas horas e deixado esfriar em dessecador por 30min até peso constante. Esse procedimento foi realizado em triplicata para cada amostra e demorou em média cinco horas. O vídeo desenvolvido, após edição, tem a duração aproximada de cinco minutos.

Resultado e discussão

Foram obtidos diferentes valores de umidade para cada tipo de amostra: Folhas (85,64%), Sal de cozinha (2,81%), Margarina (49,31%), Sabonete em barra (42,15%), Ração animal (11,79%), Solo (15,71%). A partir destes dados é possível determinar os valores percentuais de umidade presentes em diversos tipos de amostras e compara-los às referências. A utilização desde vídeo em aula sobre análise gravimétrica pode proporcionar ao professor maior tempo para introduzir e discutir este assunto.

Conclusões

O desenvolvimento e divulgação de uma alternativa ao experimento de gravimetria permite ao professor abordar este tema em situações nas quais o tempo destinado a este assunto ou a falta de equipamentos e materiais não permite o experimento no laboratório de ensino.

Agradecimentos

Departamento de Química Analítica e Físico-química da Universidade Federal do Ceará

Referências

GARCIA-AMOEDO, L. H.; ALMEIDA-MURADIAN, L. B. Comparação de metodologias para a determinação de umidade em geleia real. Química Nova, São Paulo, v. 25, n.4, p. 676-679, 2002.
Instituto Adolfo Lutz (IAL); Normas analíticas do Instituto Adolfo Lutz. Capítulo IV – Procedimentos e determinações gerais. Métodos Físico-Químicos para Análise de Alimentos - 4ª Ed. 1ª Ed. Digital. 2008. Disponível em: <http://www.ial.sp.gov.br/index.php?option=com_remository&Itemid=20&func=download&id=5&chk=c95bdcb7616a85dfca49f9a53e509df0&no_html=1> Acesso em: 30 mai. 2015.
MORAN, J. M.; MASETTO, M. T.; BEHRENS, M. A. Novas tecnologias e mediação pedagógica. 13ª Ed. Campinas, SP: Papirus, 2000. – (Coleção Papirus Educação).