Autores

Mendes, S.R. (UNIVERSIDADE DO ESTADO DO AMAPÁ) ; Neves, P.A. (UNIVERSIDADE DO ESTADO DO AMAPÁ) ; Silva, T.M. (UNIVERSIDADE DO ESTADO DO AMAPÁ) ; Xavier, N.S. (UNIVERSIDADE DO ESTADO DO AMAPÁ) ; Morais, S.S.S. (UNIVERSIDADE DO ESTADO DO AMAPÁ)

Resumo

Através do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação a Docência (PIBID), o presente trabalho objetivou diagnosticar os desafios e perspectivas encontradas na Educação de Jovens e Adultos (EJA) em química, entre eles, a carga horária reduzida de 50 minutos por aula para 30 minutos no turno noturno e o grande índice de evasão dos discentes ao decorrer do ano letivo. Entre diversos fatores para a evasão, destaca-se a necessidade de trabalho simultâneo com os estudos devido à necessidade de prover o sustento da família. A disciplina de química por si só já traz suas dificuldades, principalmente quando ministrada apenas com o apoio do livro didático, muitas escolas públicas não possuem estrutura adequadas e nem laboratório, dificultando que o professor ministre aulas experimentais.

Palavras chaves

Ensino; EJA; PIBID

Introdução

Na modalidade de ensino da EJA é possível encontrar várias dificuldades, entre elas a necessidade que muitos alunos têm de trabalhar para prover o sustendo de sua família e conciliar o tempo entre estudos e trabalho, outra seria a falta de estrutura da escola que muitas das vezes encontra-se sucateada e depredada o que ocasiona a falta de motivação dos alunos pela mesma, além de alguns professores, que por razões diversas mostram-se desmotivados pelo ensino-aprendizagem efetivo dos seus alunos. A disciplina de química é vista como uma ciência de grande complexidade, pois é considerada abstrata, fazendo com que se torne difícil de ser entendida, com isso os alunos tem certa dificuldade de visualizar a química em seu cotidiano. De acordo com Torriceli (2007): “a aprendizagem da Química passa necessariamente pela utilização de fórmulas, equações, símbolos, enfim, de uma série de representações que muitas vezes pode parecer muito difícil de ser absorvida. Por isso, desde o início do curso, o professor precisa tentar desmistificar as fórmulas e equações”. Para ter uma maior participação efetiva deles necessita-se de aulas práticas, que busquem relacionar a teoria à pratica e juntas fazer o aluno perceber que ela está em seu cotidiano, entretanto a falta de investimentos em recursos metodológicos faz com que as aulas se tornem sempre teóricas, tornando assim menos atrativa. Russel (2013) afirma que "ao ensinar química o docente não deve deter-se apenas a teoria, mas sim ter uma relação com cotidiano do aluno por meio de experimentos”. Com isso este trabalho tem por objetivo analisar o processo de ensino e aprendizagem relacionando com a realidade socioeconômica de alunos da modalidade EJA da Escola Estadual Jesus de Nazaré localizada no município de Macapá-Ap.

Material e métodos

Durante o período de agosto a dezembro de 2014 os bolsistas intervieram na Escola Estadual Jesus de Nazaré localizada no município de Macapá-AP, na Educação de Jovens e Adultos na 1ª e 2ª etapa, onde se procedeu com visitas para o reconhecimento da escola e apresentação do programa para o corpo técnico, docente e bem como para os alunos da escola. Em seguida aplicou-se um questionário com perguntas abertas, na qual para este trabalho teve enforque em uma pergunta especifica sendo que todo o trabalho foi supervisionado pelo professor de química das turmas, no qual foram entrevistados 50 alunos das 1ª e 2ª etapas da escola campo, onde foi possível fazer a análise do perfil socioeconômico dos alunos, com o objetivo de verifica quais os motivos que levam os alunos a interromper os estudos, visto que muito se destacar o fato do trabalho. Entre a aplicação dos questionários e as intervenções na escola, os bolsistas realizaram diversas conversas informais com os alunos da escola, buscando conhecer aos poucos a realidade dos alunos tanto no ambiente escolar quando fora dele.

Resultado e discussão

Através do questionário constatou-se que os alunos da EJA da Escola são, em sua maioria, pessoas que tem uma jornada de trabalho de oito horas diárias. Bernardim (2007) ressalta “que a pessoa não tem apenas o direito aos saberes necessários para o exercício da prática produtiva, mas também aos conhecimentos necessários para o exercício da cidadania”. Outro fato relacionado à evasão escolar seria a formação precoce da família, fazendo com que os alunos/pais tenham que realizar atividades relacionadas ao lar fora no horário escolar, juntando estes fatores há um atraso na sua vida estudantil, como mostra o Gráfico 1. De acordo com o gráfico 40% dos alunos deixou de estudar pela necessidade de um emprego, devido às condições precárias de vida e para prover o sustento de sua família, já 60% dos alunos alegaram ter parado de estudar por outros motivos que não o trabalho. Sousa (2011) resalta que “a evasão escolar no Brasil é um problema antigo, que perdura até hoje, atualmente, o que chama atenção é o número de alunos que abandonam o Ensino Médio”. Destaca-se que na escola campo a maioria da turma do ensino médio EJA era composta de pessoas com menos de trinta anos, e apesar de serem de baixa renda não estavam vinculadas a nenhuma atividade trabalhista que as impedissem de estudar. Observa-se que o professor ao trabalhar com a Educação de Jovens e Adultos necessita utilizar de metodologias diferenciadas para o processo de ensino. De acordo com PRIGOT & GIANNOTTI (2008): “torna-se necessária à adequação do sistema educacional a esse novo contexto social decorrentes do século XX, onde as novas metodologias de ensino relacionam o que é aprendido em sala de aula com o contexto vivido pelo aluno”.

Gráfico 1

Motivos que levaram os alunos a interromperem seus estudos.

Conclusões

Levando em conta a experiência vivida em sala de aula no período de acompanhamento na escola, é possível notar que a modalidade EJA já possui dificuldades específicas, na qual o é necessário que o docente busque ministrar uma aula diferenciada, uma vez que os alunos que procuram o ensino nesta modalidade buscam encontrar uma aula diferente das aulas do ensino regular, porém ao chegar a sala de aula o mesmo depare-se com o professor utilizando apenas o método tradicional, e por conta disso acaba fiando desmotivado.

Agradecimentos

Agradecemos à CAPES que através do PIBID em parceria com a Universidade do Estado do Amapá e a Escola Estadual Jesus de Nazaré financiaram esta pesquisa.

Referências

BERNARDIM, M.L. Educação do trabalhador: da escolaridade tardia à educação necessária. Guarapuava: Unicentro, 2007.
RUSSELL, J.B. Química Geral. 2. ed. São Paulo: Makron Books, 2013.
SOARES, L.J.G. Educação de jovens e adultos. Rio de Janeiro: DP&A, 2002.
SOUSA, A.A, et al: Evasão escolar no ensino médio: velhos ou novos dilemas?.
VÉRTICES, Campos dos Goytacazes/RJ, v. 13, n. 1, p. 25-37, jan./abr. 2011.
TORRICELLI, E. Dificuldades de aprendizagem no Ensino de Química. (Tese de livre docência), Belo Horizonte, Universidade Federal de Minas Gerais. Faculdade de Educação, 2007.
PRIGOL, S.; GIANNOTTI, S. M. A importância da utilização de práticas no processo
de ensino-aprendizagem de ciências naturais enfocando a morfologia da flor.
Simpósio Nacional de Educação – XX Semana da Pedagogia, 2008.